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    3. Conhece a Jenny Longworth: a nail artist por detrás da Rihanna, do Harry Styles e da Electric Mani de verão da Treatwell

    Conhece a Jenny Longworth: a nail artist por detrás da Rihanna, do Harry Styles e da Electric Mani de verão da Treatwell

    Publicado em 17 Junho 2026 por Miryam Amer

    • A realidade glamorosa (e nem por isso) de ser nail artist
    • Começos humildes: de um mercado em Birmingham à revista ID
    • Tatuagens com a Rihanna, unhas douradas em três dias e a revolução do Harry Styles
    • Gucci, o sucesso viral e o nascimento de «Jenny Nails»
    • Clientes de sonho e tendências para sempre
    • O resultado final: ousado, sem compromissos e elétrico

    Há quem conheça os seus ídolos na passadeira vermelha. A Jenny Longworth conhece-os a um braço de distância, lima na mão. É uma das nail artists mais requisitadas do mundo e a força criativa por detrás de algumas das mãos mais ousadas do meio, da Rihanna e da Rosalía ao Harry Styles e à Adele.

    Uma mão com a electric mani pousada no jog wheel de um leitor de DJ Pioneer, com french tips em néon de padrão animal e em espiral

    Por isso, quando decidimos criar a Electric Mani de verão definitiva, só havia uma pessoa a quem ligar. Sentámos a DJ e atriz Rex Adams ao lado da Jenny enquanto ela criava o conjunto ao vivo e, entre camadas, ela contou-nos tudo: o que é preciso para vingar na alta moda, o caos dos bastidores na preparação de um desfile, a noite em que fez uma tatuagem improvisada com a Rihanna (sim, a sério) e exatamente porque não deixou a Rosalía sair dali com uma unha natural.

    Põe-te confortável para ler a transcrição completa, ou carrega no play e vê tudo com os teus próprios olhos.

    A realidade glamorosa (e nem por isso) de ser nail artist

    Rex Adams: És considerada uma das nail artists mais conceituadas do mundo. É uma honra ter as minhas mãos nas mãos da pessoa que também fez as unhas de gente que admiro em todo o mundo. Enquanto nail artist, qual é a diferença entre o que fazes mesmo e o que as pessoas pensam que fazes, e o que é que isso implica na tua carreira?

    Jenny Longworth: Acho que vai de um extremo ao outro. Quando dizes que fazes unhas, as pessoas respondem: «Ah, que giro. Tens um salão?» E eu: «Não, nem por isso, é um bocadinho diferente disso.» E aí tens de explicar. Por isso, ou há esse extremo, ou há as pessoas que percebem mesmo o que fazes e conhecem o meio, que acham aquilo super, super glamoroso.

    Rex: Se fosses uma manicure, qual serias?

    Jenny: De certeza que algo ousado, algo bastante vincado e sem compromissos. Nunca vai ser uma manicure «clean girl» no meu caso. Não tem mesmo a ver comigo,

    Rex: Nisso estamos de acordo.

    Jenny: Não me representa. As unhas são o que me faz sentir feminina e sensual. Para mim, tem de ser algo ousado.

    Rex: E mesmo agora tens umas unhas lindíssimas. São um prolongamento da tua energia, de certa forma, imagino.

    Jenny: A cem por cento.

    Rex: Quando fazes este trabalho, há perguntas que nunca te fazem e que gostavas que te fizessem?

    Jenny: Tudo o que querem saber é como são as celebridades!

    Rex: O que gostarias que te perguntassem, então?

    Jenny: Gostava que me fizessem mais perguntas sobre o lado artístico, ou sobre de onde vem a inspiração.

    Começos humildes: de um mercado em Birmingham à revista ID

    Rex: Como é que tudo começou? Reconheces este caminho na rapariga de 16 anos que eras? Como foi o teu percurso até chegar aqui?

    Jenny: Na verdade começou mais ou menos nessa idade. Andava no colégio a estudar artes do espetáculo e, como trabalho de sábado, trabalhava numa das lojas de roupa do meu pai. O meu pai tinha lojas de moda feminina por todas as Midlands quando eu era pequena. Também tinha um trabalho num café dentro de um mercado coberto em Birmingham. Ali havia uma banquinha minúscula de unhas, e tinham posto um cartaz: «experimenta uma unha grátis». Até aí, tudo o que tínhamos tido eram as unhas postiças autocolantes da loja da esquina: aquelas unhas de plástico baratas que vinham com uma revista.

    Fui lá e pedi para experimentar essa unha. Perguntei: «Quanto tempo dura?» e ele respondeu: «Duas semanas.» Então pus essa extensão, fui para a escola e andei com ela no dedo mindinho durante duas semanas.

    Rex: Só uma?

    Jenny: Só uma, porque ninguém sabia o que eram extensões de unhas. Estavam mesmo a começar a aparecer. Pensei: «Isto seria um trabalho fantástico, eu conseguia fazer isto», porque sabes como é, quando vais fazer as unhas e te apetece dizer: «Dá-me só a lima, que eu faço-as sozinha.» Arranjei um trabalho de sábado a fazer unhas e o resto é história. Adorei logo — sabes quando uma coisa te sai naturalmente, como peixe na água.

    Estava a formar-me como maquilhadora e ia a sessões fotográficas de teste. Hoje em dia tens uma manicure em cada sessão fotográfica, mas na altura não era assim. Cheguei num momento muito bom, vi que tinha um nicho e aproveitei-o. Conheci uma rapariga que mais tarde se tornou editora de moda na ID e depois na Vogue, e foi ela a primeira a abrir-me as portas.

    Rex: E há quanto tempo fazes unhas para a moda?

    O meu primeiro editorial foi em 2005, para uma sessão da ID Magazine. Era só uma página, não era a capa nem nada disso.

    Rex: Foi esse o fator decisivo que te fez pensar: «Ok, isto vai ser a minha cena»?

    Jenny: Sim. Fiz aquela sessão e depois o telefone não parou de tocar por causa das unhas. As pessoas ligavam-me todos os dias: «Podes vir fazer as unhas a esta sessão?» Porque, claro, ninguém o fazia. Os maquilhadores estavam chateados por terem de fazer também as unhas nestas sessões. Por isso, quando apareci, toda a gente ficou entusiasmada. Pensei: «Ninguém faz isto. Aqui há uma mina de ouro.» Foi aí que tudo começou para mim e, a partir daí, foi uma bola de neve.

    A nail artist das estrelas Jenny Longworth sentada num sofá verde, com um top bordô, à frente de uma parede de tijolo à vista

    Tatuagens com a Rihanna, unhas douradas em três dias e a revolução do Harry Styles

    Rex: Pensei em pôr uma música de algumas pessoas com quem trabalhaste, e tu contavas-me um bocadinho como foi a tua experiência. [A Rex põe «We Found Love» da Rihanna] Disseste há pouco que as perguntas sobre as celebridades com quem trabalhaste não são as tuas preferidas, mas tenho de a meter aqui porque, lá no fundo, estou curiosa. Fizeste uma tatuagem com a Rihanna?

    Jenny: Sim! Ela estava em Londres e queria fazer uma tatuagem. Perguntava onde devia ir, e eu disse-lhe para ir à Frith Street. Ela fez uma peça enorme. Naquela noite eu estava provavelmente a pensar: «Ah, e eu o que faço?» E ela: «Fazes uma tatuagem esta noite, querida», e eu: «Ok.» Tínhamos bebido todas, e fiz esta.

    Rex: Adoro, é para a rapariga de 16 anos que eras.

    Jenny: «Forever Young». No fundo é por causa do meu pai; em cada cartão de aniversário que me dava, escrevia a letra de Forever Young, a canção do Bob Dylan: «climb a ladder to the stars, stay forever young». Provavelmente já andava com aquilo na cabeça há algum tempo, e depois fi-la naquela noite. Demo-nos logo bem e, graças a Deus, ela manteve-se fiel a mim desde então.

    Rex: Tens um momento preferido em que lhe fizeste as unhas?

    Jenny: Provavelmente aquelas unhas douradas, porque eram simplesmente incríveis. Demoraram cerca de três dias.

    Rex: Três dias! Construíste tudo de raiz?

    Jenny: Sim, fizemos todas as flores em 3D. Foi antes de toda a gente ter aquele polygel maluco, por isso demorava imenso tempo.

    Rex: Caramba, três dias, é uma bela dedicação! Mas as unhas do Harry Styles com o smiley devem ter sido mais rápidas, não? Como é que tiveste a ideia?

    Jenny: A ideia foi dele, os smileys, nem sequer posso ficar com os louros.

    Rex: Mas achas que ele alargou a ideia das unhas para as pessoas?

    Jenny: Ai meu deus, sim, a cem por cento. Sabes, sempre houve homens que faziam as unhas, como os músicos de rock, o Ozzy Osbourne por exemplo. Mas acho que ele lhe deu mesmo uma nova vida e a tornou mais popular para esta geração.

    Rex: Tens algum momento com ele que te tenha ficado na memória?

    Jenny: Provavelmente a Met Gala. Foi super fixe. E depois fomos à after party no topo de um arranha-céus enorme em New York, e estava lá toda a gente. Foi uma bela viagem.

    Rex: E esta é a última pessoa sobre quem te vou perguntar, mas estou cheia de curiosidade porque adoro as unhas dela: a Rosalía.

    Jenny: Ah sim. A vez em que lhe fiz as unhas foi para a ID Magazine e acho que ela estava mesmo a lançar uma nova campanha para o novo álbum. Chegámos e ela diz: «Acho que as vou deixar ao natural.» E eu: «Ah não, nem morta te deixo com uma unha natural, querida!» De alguma forma consegui pôr-lhe uma unha e fizemos unhas clean com cristais em 3D, e é isso que se vê na capa. Logo quando chega a vez dela, quer a unha natural.

    Gucci, o sucesso viral e o nascimento de «Jenny Nails»

    Rex: Qual é a manicure que, na tua opinião, te mudou a vida ou a carreira?

    Jenny: Aquelas primeiras unhas que fiz para a Gucci e que se tornaram virais. Foi enorme.

    Rex: Como é que aconteceu?

    Jenny: Tinha feito um par de campanhas mais pequenas com eles, e foi assim que cheguei a trabalhar com a Gucci. Obviamente, ao colaborar com o Alessandro, ele tinha sempre uma visão muito clara das unhas, e era sempre uma colaboração entre nós os dois.

    Às vezes o meu pior pesadelo é quando alguém me diz: «Faz o que quiseres.» Aí a cabeça começa a andar à roda! Preciso de um ponto de referência. Mas, ao mesmo tempo, se alguém diz: «Acho que devia ser exatamente assim», é como se estivesse a tentar fazê-lo sozinho. O bom é quando tens esse equilíbrio na colaboração, em que alguém te dá ideias mas te deixa brincar.

    Rex: Todos temos as nossas válvulas de escape criativas, claro — como eu com a música e a representação, que são mesmo uma parte central de quem sou, porque o meu dia a dia exige que use isso na minha carreira. Tenho curiosidade em saber como as unhas passaram, para ti, de algo que fazes para algo que és. Ou foram sempre uma parte central de ti?

    Jenny: Acho que, quando és artista, não pode deixar de ser uma parte de ti. É visceral. Antigamente brincava e perguntava se as pessoas sabiam sequer o meu apelido. As pessoas diziam: «Jenny quê? Ah, Jenny Nails! Sim, a Jenny Nails conheço.» Faz tão parte de mim que, sinceramente, já não preciso de fazer mais nada.

    Rex: Deve haver segredos que as pessoas não conhecem, nos bastidores, porque isto não é um trabalho simples. Qual é uma coisa que revelarias e que as pessoas não sabem mesmo sobre o processo das unhas em geral?

    Jenny: Provavelmente, quando fazes desfiles e coisas assim, a forma como temos de preparar as unhas. Acho que só vês o resultado na passerelle e pensas: «Ah, que fixe.» Mas não te apercebes de que foram precisas dez pessoas durante dois dias para fazer aquelas unhas. Dizem-nos qual é o look para um desfile às 22h00, há 100 modelos, e temos de lá estar às 6h00 da manhã seguinte. Tens de ficar acordada toda a noite a fazê-las. Não é que cheguemos no próprio dia e as pintemos e pronto; não funciona assim. Leva horas e horas, é mesmo minucioso.

    Clientes de sonho e tendências para sempre

    Rex: Se pudesses ser uma única tendência de unhas para o resto dos teus dias, qual serias?

    Jenny: Tem de ser uma unha vermelha, querida.

    Rex: Stiletto ou quadrada? Tens de escolher uma forma.

    Jenny: Não me podes fazer isto, é dificílimo. Digo stiletto.

    Rex: Ótima escolha.

    Jenny: Stiletto vermelha! Sem dúvida um vermelho de base alaranjada.

    Rex: Há alguma tendência de unhas que gostavas de ter inventado, mas não inventaste?

    Jenny: Acho sempre que as pessoas são ótimas a dar nomes às tendências, sabes? Dizem: «Ah, a unha glazed donut.» E eu: «Mas isso é só uma unha chrome.» Mas nunca me lembraria de lhe chamar isso. Gostava de ser melhor a inventar conceitos ou a transformar coisas em tendência.

    Rex: De quem é que adorarias fazer as unhas?

    Jenny: Dennis Rodman, porque ele é pura liberdade de expressão, e o facto de poder ser assim sendo jogador de basquetebol, num mundo tão masculino — adoro-o, e adorava fazer-lhe as unhas um dia.

    A Cher também seria espetacular, porque era tão inovadora e tinha sempre um look de unhas comprido e decorado; fazia algo bastante diferente para a época.

    E depois alguém que, na minha opinião, seria enorme, provavelmente a Céline Dion. Acho que ia ser de morrer a rir.

    Rex: Acho que passar tempo com ela seria fantástico.

    Jenny: Tem um ar hilariante. Nem é sequer pelas unhas, só quero ir passar tempo com ela!

    Rex: Não te censuro, eu também ia. Parece ser muito divertida. Bom trabalho. Consegues dar-lhe um nome?

    Jenny: Esta é a tua «Electric Manicure».

    Rex: Adoro. Acho que me deixaste pronta para Ibiza.

    Jenny: Espetacular, querida, sempre feliz por ajudar. Então, Rex, tenho uma pergunta para ti. Se esta manicure tivesse uma banda sonora, qual seria?

    Rex: Sabes que mais? Acho que to vou mostrar!

    A DJ e atriz Rex Adams de perfil, com os auscultadores ao pescoço, a mostrar as french tips em néon da colorida electric mani

    O resultado final: ousado, sem compromissos e elétrico

    Eis o que a Jenny nos ensinou: uma boa manicure não tem a ver com seguir regras, mas com colaboração, expressão e encontrar o conjunto que te faz sentir imparável. Quer estejas a preparar-te para uma campanha da Gucci ou simplesmente para um fim de semana que merece um pouco mais de ousadia, a magia é a mesma. As unhas certas mudam a forma como te apresentas ao mundo.

    Das flores em 3D hiperdetalhadas à stiletto perfeita num vermelho alaranjado, a electric mani de verão é o teu sinal para deixares as unhas nuas para trás e arriscares mais do que o costume. Não precisas de passadeira vermelha. Basta-te uma hora na cadeira e alguém que sabe exatamente o que faz. Por isso, força, deixa as tuas mãos falar.

    Pronta para o teu próprio reset de unhas?

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